Crítica sobre a aula do Sabbag

Meu professor de redação é o Eduardo Sabbag, sim, o cara é fera, um dos melhores que tive a oportunidade de conhecer. E na última aula que tivemos, sábado (02.04.11) ele comentou sobre o seguinte texto:

A preocupação da comitiva presidencial com o vestuário durante a visita de Fernando Henrique Cardoso à Ásia
trata diretamente do conceito de leis suntuárias. Na sua origem, essas leis tinham uma inspiração moral e visavam a impor limites aos impulsos humanos.
Assim, na sóbria Esparta, eram proibidos o álcool, o uso de móveis feitos com ferramentas sofisticadas e a possessão de ouro e prata. Essas leis passaram a afetar também o vestuário. Na Roma republicana, em 215 a.C., a Lex Oppia proibia as mulheres de usar mais de meia onça de ouro. No judaísmo, a lei mosaica condena o uso de linho e lã no mesmo artigo, prática condenável no Ocidente até hoje.
Na Europa, as leis suntuárias deixaram um pouco de lado a preocupação moralizante para passar a diferenciar
as classes sociais. Em 1337 o rei Eduardo 3º, da Inglaterra, proibiu qualquer um com título inferior a cavaleiro de usar peles.
A partir do século 17, as leis suntuárias acabaram perdendo também um pouco do sentido de diferenciação
social para converter-se num instrumento de guerra comercial. A Inglaterra, por exemplo, proibia a importação de seda francesa e a França, a de lã inglesa. Essa prática rapidamente evoluiu para os impostos sobre a importação.
Seria tolice entretanto acreditar que as leis suntuárias morreram. Elas apenas deixaram de ser leis positivas e
foram transferidas para o mercado. As grifes continuam aí, indicando quem pertence a que classe. A tirania é a
mesma, mas a eficiência é maior. Mesmo um pobre sempre poderá sonhar em vestir um Giorgio Armani. (Editorial,
Folha de S. Paulo, 06-12-1995)

Sem dúvida o texto foi muito bem escrito. Quero deixar bem claro que a minha intenção não é tirar mérito algum de quem quer que seja, pelo contrário, respeito as opiniões e admiro cada um dos profissionais. Todavia, discordo de alguns pensamentos.

Me chamou a atenção quando o professor comentou em aula sobre a parte final do texto, em síntese: nos mostra a força que as grifes possuem em distinguir os cidadãos por classes sociais. Deu o exemplo de dois homens conversando em uma festa de casamento onde “A” elogia o terno de “B”, momento no qual “B” informa que seu terno é um Giorgio Armani, a partir daí, “A” irá sentir que “B” é superior a ele.

Gente, as grifes cobram caro por suas peças porque a qualidade é a melhor possível, porque o corte é impecável, porque o tecido é indefectível. Isso é comércio, e eles estão absolutamente corretos.  Alguns alegam que por melhor que seja uma roupa, ela não precisa custar tão caro. Ocorre que, existem pessoas que não se importam em pagar o preço elevado que essas grifes exigem. Eles continuam ganhando dinheiro, ou seja, atingindo seu objetivo. Suponhamos que eu tenha uma caneta fajuta e digo que quero vendê-la, alguém me oferece R$ 2,50 por ela, enquanto um outro alguém me oferece R$ 600,00 pela mesma caneta, eu não pensarei duas vezes, venderei a caneta por R$ 600,00, enquanto existirem pessoas que pagam bem, eu cobrarei bem.

Agora, se um indivíduo se sente inferiorizado por alguém vestir ou possui algo de valor elevado que ele não pode comprar, isso é um problema pessoal. A partir do momento em que “A” e “B” estão na mesma festa é porque eles já possuem algo em comum. Até quando a população brasileira (e digo brasileira com muita segurança porque em alguns outros países as coisas não ocorrem dessa maneira) irá distinguir um ser humano pela sua fisionomia ou por suas aquisições materiais? Isso não me parece um erro de grifes, mas sim, um preconceito exercido por uma sociedade. Uma pessoa não deve se privar do luxo que poderia possuir para ser aceita em meio a um grupo social.

O problema não está na livre disputa comercial, mas sim, na má educação que o país obtém.

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5 Respostas to “Crítica sobre a aula do Sabbag”

  1. Admirador Says:

    Desculpa, mas discordo de voce.. Alias, voce está certa, mas está errada..
    “Uma pessoa não deve se privar do luxo que poderia possuir para ser aceita em meio a um grupo social.” voce achar isso, me diz que voce acha mais importante oq visto, do que oq penso, oq faço…

  2. Comentário Says:

    Como você mesma disse, há pessoas com dinheiro dispostas a pagar muito mais do que as roupas realmente valem e, de fato, isto é comércio.

    Não vejo problema nenhum em grifes cobrarem valores altíssimos por seus produtos, desde que não haja monopólio dos mesmos – que no caso de roupas não há – sem problemas, quem quiser paga, quem não quiser não paga.

    No entanto, é óbvio que as grifes distinguem as pessoas em classes sociais. Inclusive, não só no mercado de moda, mas em todo segmento de luxo, um dos princípios básicos destas empresas é justamente o de distinguir seus clientes, apresentar produtos diferenciados e exclusivos para que eles se sintam diferenciados e exclusivos.

  3. Roberta Rigoleto Sanches Says:

    Confesso que amei as discussões.
    Respeito cada um dos comentários, cada maneira peculiar de pensamento, mas insto discordar de vocês. Continuo defendendo meu pensamento de que o pré-conceito encontra-se dentro da população e que os artigos de luxo jamais deveriam ser usados como instrumento de poder.
    Costumo responder individualmente cada comentário e e-mail, mas vocês não me permitiram, então, aqui está. Agradeço os comentários e adoraria saber quem são.

  4. Aline Castro Says:

    Eu concordo sim com vc (Roberta), pois acredito que as mudanças tanto de comportamento quanto de pensamento, tem que partir de dentro, ou seja, a população se sente inferior e muitas vezes faz questão de “frizar” essa diferença.

    As grifes tem total liberdade de vender seus produtos pelo preço que acharem justo, ainda mais sabendo que sempre (eu disse sempre) haverá alguém que pague esse preço.

    Dizer que tais diferenças não existem é hipocrisia, mas não somos todos iguais e precisamos conviver com isso e saber aceitar….

  5. admirador Says:

    O ponto que eu queria tocar nao eram os pré-conceitos da sociedade, e sim o seu ponto de vista perante o disposto.
    Quando voce apoia o argumento de uma parte da sociedade de que vc tem q estar nao bem vestido (pois se pode fazer isso sem o uso de grifes famosas) e sim vestido cheio de grife para ser aceito, apenas me esclarece o porque do Brasil ser um país de tanta desigualdade e preconceito (esse sim, sem hífem).

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